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segunda-feira, 18 de abril de 2011

Cartas de Chopin redescobertas

Seis cartas de Chopin que se pensavam perdidas em 1939 foram descobertas e doadas ao museu Chopin, em Varsóvia.

As cartas, escritas por Chopin aos seus pais e irmãs entre 1845 e 1849, julgavam-se perdidas desde o pós-II Guerra Mundial, mas em 2003 correu a notícia que poderiam estar numa colecção privada.

Foram adquiridas por Marek Keller, um negociante de arte, aos seus antigos proprietários, que desejam manter-se anónimos.

Nas cartas, Chopin descreve situações da vida diária e fala da sua Sonata para Violoncelo e Piano.

A colecção também inclui cartas de Jane Stirling (aluna de Chopin) para Ludwika (irmã de Chopin) e estarão em exposição no museu até dia 25 de Abril.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Quem será?

Não é difícil, mas tentem descobrir quem (supostamente) é a pessoa retratada nesta imagem:



EDITAMENTO: (após os comentários)

Como é óbvio, a pessoa aqui representada pretende ser Chopin.

Existe uma outra famosa fotografia, que eu acho fascinante onde se consegue ter alguma noção da "personalidade" de Chopin e até ver com algum pormenor o tipo de mãos que tinha (ver essa foto AQUI). É famosa a expressão dos seus olhos na foto. O seu olhar é penetrante e inteligente e está cheio de uma mistura de sabedoria e distância. A foto foi tirada em Paris em 1849 poucos meses antes de Chopin morrer e é claramente notória a sua pouca saúde, bem como a falta de noites bem dormidas.
É, sem dúvida, uma fotografia extraordinária.

A fotografia que apresento aqui não é menos impressionante. A semelhança com Chopin é enorme, mas infelizmente está em muito mau estado. Mesmo sendo difícil ver.se muita coisa na fotografia, se observarmos atentamente conseguimos distinguir alguns pormenores.

Há quem afirme que a fotografia está invertida, baseando-se no lado em que está o risco no cabelo de Chopin, pois nesta foto aparece no lado contrário da outra.

No entanto, analisando quer a foto de 1849, quer a máscara mortuária que foi feita e também alguns retratos desenhados de Chopin, quer-me parecer que as semelhanças são óbvias. Esta foto foi tirada em 1846 ou 1847, uma altura em que Chopin ainda compunha activamente e isso pode explicar de certa forma uma "tensão" que se nota na fotografia, pois o acto de compor era para ele uma angústia, uma espécie de luta.

domingo, 22 de novembro de 2009

CHOPIN: Um inventário

CHOPIN: Um inventário

Quase sessenta mazurcas; cerca de trinta estudos;
duas dúzias de prelúdios; uma vintena de nocturnos;
umas quinze valsas; mais de uma dúzia de “polonaises”;
“scherzos”, improvisos, e baladas, quatro de cada;
três sonatas para piano; e dois concertos para piano e orquestra,
uma “berceuse”, uma barcarola, uma fantasia, uma tarantela, etc.,
além de umas dezassete canções para canto e piano; uma tuberculose mortal;
um talento de concertista; muitos sucessos mundanos; uma paixão infeliz;
uma ligação célebre com mulher ilustre; outras ligações sortidas;
uma pátria sem fronteiras seguras nem independência concreta;
a Europa francesa do Romantismo; várias amizades com homens eminentes;
e apenas trinta e nove anos de vida. Outros viveram menos, escreveram mais,
comeram mais amargo o classicamente amargo pão do exílio, foram ignorados
ou combatidos, morreram abandonados, não se passearam nas alcovas
ou nos salões da glória, confinaram-se menos ao instrumento que melhor dominavam,
e mesmo foram mais apátridas sofrendo de uma pátria que não haja.

Além disso, quase todos escaparam mais à possibilidade repelente
de ser melodia das virgens, ritmo dos castrados,
requebro de meia-tijela, nostalgia dos analfabetos,
e outras coisas medíocres e mesquinhas da vulgaridade, como ele não. Ou de ser
prato de não-resistência para os concertistas que tocam para as pessoas que julgam
que gostam de música mas não gostam. Ainda por cima
era um arrivista, um pedante convencido da aristocracia que não tinha,
um reaccionário ansiando por revoluções que libertassem as oligarquias
da Polónia, coitadinhas, e outras. E, para cúmulo,
a gente começa a desconfiar de que não era sequer um romântico,
pelo menos da maneira que ele fingiu ser e deixou entender que era.

Uma arte de compor a música como quem escreve um poema,
a força que se disfarça em languidez, um ar de inspiração
ocultando a estrutura, uma melancolia harmónica por sobre
a ironia melódica (ou o contrário), a magia dos ritmos
usada para esconder o pensamento – e escondê-lo tanto,
que ainda passa por burro de génio este homem que tinha o pensamento nos dedos,
e cuja audácia usava a máscara do sentimento ou das formas livres
para criar-se a si mesmo. Tão hábil na sua cozinha, que pode servir-se
morno, às horas da saudade e da amargura,
quente, nas grandes ocasiões da vida triunfal,
e frio, quando só a música dirá o desespero vácuo
de ser-se piano e nada mais no mundo.

Jorge de Sena
Poesia II, Arte de Música, pp. 184-185, Edições 70, Lisboa, 1988.

Chopin - Prelúdio em Mi menor, Op.28 no.4 - Sviatoslav Richter, piano